domingo, 10 de outubro de 2010

Penetra

   Ás vezes me sinto uma penetra. É como se todos fossem convidados para uma grande festa, menos eu. Vejo todo mundo se divertindo, dançando e conversando, enquanto eu fico em um canto, sozinha e calada.
   Celebrações não foram feitas para mim. Nem festas, nem vestidos, nem luzes. Não consigo rir por fora enquanto choro por dentro. Não faz sentido pra mim.
   A música não me alegra. A comida não me satisfaz. A bebida não mata minha sede. A festa não me acolhe.
   Não dá para me divertir sabendo que não sou bem-vinda. As pessoas passam por mim e nem falam comigo. Pisam no meu pé, se esbarram em mim, ou simplesmente me olham com dezpreso.
  Sou uma peça que não se encaixa no quebra-cabeça. Ninguém nota a minha presença ali, como se eu fosse invisível. Como se eu fosse uma penetra.

  

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Heranças

     Tudo o que é vivo, morre. Nada é eterno. Não levamos nada dessa vida. Essas frases são bem conhecidas e muito usadas.
    Já passei por isso. Perdi uma pessoa muito querida, ídolos, sonhos e amigos, e as perdas me machucaram. Na verdade, ainda machucam.
    Mas eu sei que um dia eu também vou embora e não levarei nada daqui, a não ser o conhecimento que venho acumulando com o passar do tempo. Os que se foram também não levaram nada, mas nos deixaram muitas coisas. Deixaram saudades, lágrimas, conhecimento, músicas, sorrisos, amor, entre várias outras coisas muito preciosas.
   A carne morre, mas o que tem dentro de nós é eterno. Enquanto alguém for lembrado pelas pessoas que o amam, ele e sua herança deixada ( não a material, mas aquela que está em nós ) viverá para sempre. Seus valores jamais serão esquecidos. Suas músicas sempre serão ouvidas e adimiradas. Seus livros sempre serão lidos. E seu amor sempre confortará os solitários aqui na Terra.
   Espero deixar coisas boas para as pessoas. Sei que não sou perfeita e não tenho muito, mas quero que o pouco que eu tenho sirva para confortar e alegrar as pessoas que ficarem aqui. Quero que se lembrem de mim como uma pessoa comum, que tentou viver intensamente cada momento.
   E você? Já pensou no que vai deixar?


   

domingo, 3 de outubro de 2010

Luz, câmera e ação!

     Hoje tive uma pequena apresentação de uma peça, com a turma do curso de teatro. Foi uma peça pequena, e teve um público pequeno. Mas nem por isso foi menos mágico!
    É a sensação mais maravilhosa do mundo! Aquele frio na barriga, aquele nervosismo insuportável, a sensação no palco com todos te olhando...e os aplausos! Não tem nada melhor que os aplausos...
   O som que eles produzem me faz lembrar da chuva. Chuva que chega como recompensa, nos falando: "Parabéns, vocês conseguiram!"
   Não tem como descrever em palavras o que senti lá no palco. Uma mistura de calma e fúria, leveza e brutalidade...e no fim, com os aplausos, só senti alegria. Alegria de fazer uma coisa que me deixa completa!
  Até agora estou me lembrando... foi simplesmente mágico.
   Me lembrei de todas as coisas que me deram frio na barriga. Acho que esse frio que sentimos é um sinal de que tudo vale a pena. Temos que tomar coragem para ir em frente...pois no final, a única coisa que vamos ouvir são os aplausos.


sábado, 2 de outubro de 2010

Segunda chance

   Hoje fui ao cinema. Calma, não estou aqui pra falar da minha vida sem graça...só quero falar do filme que eu vi. Hoje fui pra ver Comer, rezar e amar, que conta a história de uma mulher divorciada que partiu em uma viagem para se encontrar. Confesso que me identifiquei muito com o filme.
    Cheguei a invejá-la. Como ela teve coragem de largar tudo? De pedir o divórcio, de largar os amigos e ir para um lugar onde não conhecia ninguém? Queria ter essa coragem...
    Mas a coragem não foi a única coisa que o filme me mostrou...o mais importante foi que ele me mostrou que todos merecem uma segunda chance.
    Uma segunda chance de sorrir, de acreditar, e principalmente, de amar. Todos já receberam flores e já carregaram pedras. Mas as pedras não podem nos impedir de enxergar as flores, e nem de sentir seu perfume.
    Tristeza é inevitável. Ás vezes ela vem de mansinho, sem que percebamos, e se instala em nossas vidas. E vivemos acomodados com ela, como se fosse uma torneira mal fechada que fica gotejando, e temos preguiça de fechá-la.
   Mas chega uma hora que sufoca...
   Então, para resgatar o ar, precisamos de mudanças. Não é tão fácil na prática, na teoria tudo parece mais simples! Eu ainda estou tentando...a cada dia, a cada hora, a cada instante da minha vida. Tento mudar cada atitude minha, cada palavra...e sei que um dia foi me encontrar em algum lugar.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Insônia...

      Insônia é uma rotina pra mim. Ela está sempre presente, me fazendo companhia, ouvindo minhas angústias e o meu choro silencioso.
     Não posso reclamar dela...ela sempre foi uma boa ouvinte.
     Certo dia, ela me aconselhou a fugir para bem longe e econtrar uma razão para sonhar. Só assim ela seria livre para fazer companhia a outro coração solitário. A proposta foi tentadora...
    Mas eu estava tão só e vulnerável que fiquei com medo de ela ir embora. Não podia deixá-la partir, não a minha amiga das noites frias. De fato, ela não me deixa dormir...mas não deixa os pesadelos se aproximarem de mim.Ela é muito cuidadosa comigo.
   Mas mesmo assim resolvi seguir seu conselho...
   Estou procurando em todos os lugares um pouco de mim...e prometo que um dia eu a deixarei livre!

Colcha de retalhos

   A vida é uma colcha de retalhos. Estamos sempre remendando uma história aqui e outra ali. Eu estou ainda fazendo a minha...a cada dia, a cada hora, a cada minuto.
  Mas a minha colcha não é como a maioria. Os meus retalhos são escuros e velhos, como todas as minhas tentativas.
  Tentativas de ser uma pessoa como as outras, popular e típica adolescente. Eu não faço esse gênero! Aliás, não faço gênero nenhum...nem sei que tipo de garota eu sou. Só sei que sou mais uma entre milhares, tentando fazer sua própria história.
  Não sou dramática, apenas sou sensata. Não tenho culpa de não me encontrar...afinal, vivo fugindo de mim mesma. Não sei em que mundo estou, mas sei que estou por aí...enrolada em uma manta surrada e cheia de retalhos.

Céus e cheiros

     Sempre achei que o céu era azul. Hoje sei que não é bem assim...
     Cada um tem seu próprio céu, com uma cor particular.São milhares de céus espalhados pelo universo, alguns azuis, outros cinzas...e até alguns cor-de-rosa.
    No meu há uma explosão de cores berrantes e distintas.Já o enxerguei azul quando estive feliz, cinza quando estive triste e já teve dias em que não vi céu nenhum.
   Na verdade, não é só o céu que muda. O cheiro também. Sinto cheiro amargo, misturado com terra e água da chuva. E quando pergunto que cheiro é aquele, simplesmente me respondem com outra pergunta: "Você está louca?"
   Talvez eu esteja mesmo...mas ninguém pode dizer que estou errada. Afinal, de fato temos céus e cheiros diferentes, cada um contando uma história diferente.